SOBRE A BRUCALDERON
A cozinha é um lugar mágico para mim, local onde posso criar e reinterpretar receitas e pratos incríveis. Meu objetivo é inspirar você à também colocar a mão na massa de uma maneira simples e descomplicada, fazendo com que o ato de cozinhar lhe traga descontração e muita alegria.  
Jundiaí / São Paulo
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HARMONIZAÇÃO DE VINHOS

11 Jul 2018

Este é um post especial para os entusiastas e iniciantes no universo dos vinhos! Nos últimos anos, o Brasil passou por uma considerável mudança no que diz respeito ao consumo de bebidas alcoólicas. Até pouco tempo atrás, todos os encontros, happy hours, almoços de domingo e churrascos eram marcados pelo acompanhamento de uma boa cerveja gelada. O ritual ainda é muito apreciado, já que o Brasil é o terceiro país no ranking mundial de consumo de cervejas, com destaque na criação de cargos da profissão chamada Mestre Cervejeiro. Para saber “O Que Faz um Mestre Cervejeiro”, clique aqui.

 

Pois bem, apesar do brasileiro ter essa paixão pela cerveja, é notável o grande aumento no consumo de uma outra bebida, o vinho. O vinho é uma bebida alcoólica produzida pela fermentação do sumo de uva, feita através de vários tipos de levedura que consomem os açúcares presentes nas uvas, transformando-os em álcool. A criação dessa bebida é tão antiga que se perde de vista ao longo da história, tendo como base, no mínimo, a data de 6000 a.C.

 

Ao longo dos anos, o consumo do vinho tornou-se comum nas mais diversas culturas e tradições, desempenhando um papel importante na sociedade. Tomar uma tacinha de vinho acompanhando uma refeição chega a ser algo sagrado em diversos países. Na Europa, por exemplo, há uma antiga uma relação de amor com o vinho. Por lá, é bastante comum ver pessoas durante a semana, no horário do almoço, bebendo uma pequena taça de vinho para acompanhar a refeição.

 

A produção de vinhos no Brasil também é antiga, mas grande parte é de sucos e vinhos de mesa, que possuem uma qualidade inferior aos vinhos finos. Com o aumento das importações de vinhos finos de vários tipos de uvas, graduações alcoólicas, países diferentes e valores diferentes, o consumo também aumentou. A enorme diversidade, encontrada até mesmo em pequenos supermercados, contribuiu para que o ato de levar um vinho para acompanhar um jantar especial ganhasse espaço nas mesas brasileiras. E com esse aumento, vem uma grande questão que parece assustar quem ainda não se jogou de vez no mundo dos vinhos: a harmonização.

 

 

O que é harmonizar? O que é estar em harmonia? Segundo os filósofos, harmonizar é estar em paz, estar confortável ou "de acordo". Na música, é a completude de uma nota após a outra que, ao serem tocadas, criam uma sensação específica. E na cozinha? E na experiência dos vinhos? Bom, para mim, harmonizar o vinho com a comida é obter o melhor de cada um para uma experiência completa na refeição. É extrair as melhores sensações do prato e do vinho com a combinação de ambos na boca.

 

E prometo, fazer isso é muito mais simples e fácil do que parece. Ninguém precisa se assustar e, depois de entender alguns poucos conceitos, qualquer iniciante conseguirá fazer belas harmonizações de comidas com vinhos. Antes de contar as dicas de harmonizações, quero passar pra você as três possibilidades de relação de harmonização.

  1. HARMONIZAÇÃO POR APROXIMAÇÃO. Esse estilo baseia-se na similaridade, por exemplo, vinho ácido com comida ácida, comida doce com vinho mais doce.

  2. HARMONIZAÇÃO POR CONTRASTE. Aqui, o objetivo é fazer o oposto: em vez de encontrar o equilíbrio, a junção do vinho e comida potencializam uma das características como, por exemplo, aumentar a acidez, aumentar a doçura e assim por diante. 

  3. HARMONIZAÇÃO ROMÂNTICA.  Essa é bem interessante de fazer, pois você junta o alimento da região com o vinho da região. Exemplo, comer bacalhau com vinhos portugueses. Como as propriedades regionais são similares, geralmente a culinária local tem um vinho desenvolvido para aquela comida e vice-versa. Então você pode comer um Boeuf Borguignon com um vinho Francês de Borgonha, que a taxa de acerto é bem alta.

Sabendo desses três conceitos, certamente seu tempo parado em frente à prateleira de vinho no supermercado irá reduzir drasticamente. Basta escolher o tipo de harmonização que quer tentar naquele dia. Pois bem, tendo escolhido o tipo de harmonização, vamos para algumas dicas práticas que podem ajudar você na escolha do vinho para o jantar de hoje!

 

QUEIJOS E VINHOS

Queijos frescos e moles

 

Para queijos como mussarela, minas frescal, ricota, queijo coalho e queijo brie, prefira vinhos brancos, suaves e aromáticos como os produzidos com as uvas verdicchio e chardonnay.

 

Queijos de média maturação

 

Para queijos como cheddar, meia-cura e prato, prefira vinhos tintos mais leves e frutados como os produzidos com as uvas marzemino e merlot.

 

Queijos de longa maturação

 

Para queijos como provolone e pecorino que normalmente são servidos como entrada e aperitivos, prefira espumantes secos e champanhes.

 

Queijos azuis

 

Para os queijos como roquefort e gorgonzola, prefira vinhos tintos frisantes ou vinhos brancos aromáticos como os produzidos com a uva sauvignon.

 

CARNES E VINHOS

Carne vermelha grelhada

 

Para acompanhar pratos feitos com carne vermelha grelhada, prefira vinhos tintos de corpo médio ou robusto, como os produzidos com as uvas cabernet sauvignon, malbec e shiraz.

 

Carpaccio e Steak Tartare

 

Para pratos feitos com carne vermelha mas preparados de forma crua como os carpaccios e o steak tartare, prefira mais suaves como o sauvignon blanc e o chardonnay.

 

Carne de porco

 

Para os pratos de carne de porco gordurosos como pernil e costela, prefira vinhos das uvas pinot noir e merlot. Já para os cortes mais magros como lombinho, prefira os brancos chardonnay e sauvignon blanc.

 

Frutos do mar

 

Para acompanhar pratos com frutos do mar, prefira vinhos mais leve como os sauvignon blanc e espumantes.

 

SOBREMESAS E VINHOS

Sobremesas com chocolate

 

Para os doces que contêm chocolate, prefira vinhos com maior acidez e aroma marcante como os feitos com as uvas grenache.

 

Sobremesas com frutas

 

Já as sobremesas que levam frutas pedem uma bebida mais delicada como os vinhos leves e com aromas cítricos, como os de uva moscatel.

 

Sobremesas cremosas

 

Para os doces feitos com creme de leite, leite condensado e doce de leite, aposto em vinhos que tenham bastante acidez para combater a doçura do prato como os vinhos da uva sémillon.

 

Viu como harmonizar um prato e um vinho não é tão complexo assim? Obviamente, o gosto pessoal de cada um conta muito na hora de definir as preferências e combinações, mas para quem está iniciando os estudos e está em busca de referências, essas informações aqui já podem ajudar.

 

Para completar ainda mais seus conhecimentos e ajudar você com outras informações como disposição da taça na mesa, como servir a bebida e que taça é a ideal para cada vinho, acesse o post “Que Taça Escolher?”. Com todas essas dicas em mãos, agora é só correr para o mercado mais próximo e providenciar sua garrafa de vinho para o jantar de hoje a noite!